O cansaço é grande. O volume de tarefas parece nos consumir. O tempo escorrega pelas mãos. Por vezes aparece um certo temor, diante de tanta selvageria promovida pelas estruturas do capitalismo. As pessoas nem se dão conta do que fazem. Atos covardes, violências concretas e simbólicas (como dizia Bourdieu), tentativas de prejudicar os outros – nesse clima de inimizade e ódio travestido de seriedade. Mas é justamente nas contradições do cotidiano que encontramos as mediações. Está difícil manter o estado físico e mental em dia, com o avanço da idade tudo parece ruir aos poucos. O alento de quem vive do trabalho intelectual é a leitura. Ela só encontra espaço efetivo naqueles momentos de 30, 40 minutos antes do descanso diário. E é justamente nesses momentos que aparece a noção sobre “o que fazer”.
Walter Benjamin e Gramsci são inspirações que aparecem nas leituras. Eles que enfrentaram a dureza da vida até a morte provocada pelos nazistas e fascistas, não esmoreceram diante das adversidades. E anunciaram o que talvez nos falte – tanto pelo tempo que o capitalismo nos rouba, como pela inanição diante do quadro político. Esse mesmo capitalismo tem força, mas vive num estágio crítico, porque produz o que de mais baixo existe no plano da intelectualidade. Parcelas sociais são atingidas sem culpa alguma. Outras, no entanto, assumem seu papel de algozes, vilipendiando a vida social com ignomínias, desprezo pelo outro, mentiras, tentativas de controlar o todo social pela ignorância, a pura ignorância. Para elevar a cultura política teremos muitas lutas pela frente. O quadro é, com todas as possibilidades históricas que temos de resistência, aterrador.
É verdade que a luta institucional é apenas parte dessa resistência. Na democracia liberal, ainda que existam espaços para reagir, os riscos são sempre enormes. No entanto, não devemos desprezar a possibilidade de escolher representantes dignos e efetivamente comprometidos com os interesses da grande maioria da sociedade, os pobres e desvalidos. É bem verdade que as ideologias acabam conquistando para as suas fileiras boa parte dos “de baixo”, mas é justamente ali, como dizia Milton Santos, que estará a nossa possibilidade de fortalecimento político, na periferia do capitalismo.
Na minha cidade temos pelo menos duas candidaturas dignas, que fazem parte de uma mesma federação. Uma de uma mulher-educadora com história de compromisso constante com a educação pública. Outra, de um engenheiro que já exerceu funções legislativas e do executivo, essa última em um momento em que a atual crise política teve início. Eu tenho um compromisso ético, de fidelidade partidária, inclusive, com este candidato. Pedro Bigardi é meu amigo de mais de 30 anos. Sei da honestidade dele, sei de suas capacidades técnicas e políticas e sempre ficarei ao seu lado. Não romperei essa fidelidade por nada. E nele e o deputado Orlando Silva é quem votarei, representantes legítimos do meu partido político.
É necessário enfrentar as velhas raposas do sistema político e do mundo econômico com coragem. Estou em falta nessa resistência, apesar de eu considerá-la também uma resistência cotidiana, especialmente na área de educação. É necessário enfrentar a mediocridade, a violência simbólica, aqueles que, não sabendo quase nada se arrogam a se colocar no lugar de tudo saber. A humildade frente ao conhecimento nada tem que ver com aceitar a ignorância dos incautos. Eles, com o tempo, sofrerão os abalos que a vida sempre proporciona aos que se colocam em posição de superioridade (política, econômica, cultural). As constelações históricas de Benjamin, a hegemonia cultural de Gramsci, emergem como faróis e indicadores de que o futuro está em aberto, apesar de tantos interditos no momento presente. Haveremos de alcançar um estágio superior de vida social, uma humanização que superará as oposições de todas as naturezas, em que o respeito, a solidariedade e a intenção de construir juntos prevalecerá, superando a lógica individualista do eu contra o outro.
Talvez esse meu texto cause pouco impacto eleitoral. Talvez essas palavras possam soar vazias para alguns. Talvez uma enxurrada de ignorâncias venha em sua oposição. Mas este é o preço a pagar pela honestidade de posições, pela coerência de vida, pelo amor fraterno a quem realmente merece.
Recomendo o voto nesses esses dois “comunistas” do meu partido, Pedro Bigardi (65123) e Orlando Silva (6565). E em Marina Silva (180) e Simone Tebet (400) para o Senado, Fernando Haddad (13) para Governador e o Presidente Lula (13) para novamente ser presidente.
Por razões da história de vida e dos compromissos que sempre tive com o campo da esquerda democrática, sonho com uma sociedade mais justa, fraterna e democrática.
Virada Reflexiva Filosofia, reflexões, educação e política.